sexta-feira, abril 06, 2007

Chocolate derretido – conto de Páscoa




CHOCOLATE DERRETIDO


A galinha que brigara com o galo andava aos círculos batendo as asas de preocupação, enquanto o coelho a observava da toca adivinhando-lhe os pensamentos.

Enquanto isso, dona Maria derretia o cacau no caldeirão para fabricar as barras de chocolate que lhe renderiam uns trocados a mais nas festas do começo do outono. Ela já se imaginava comprando um cobertor novo de pelúcia marrom.

A galinha mal cacarejava de tristeza achando que dona Maria lhe tiraria os ovos que ela botara com tanto esforço. Ela ouvira falar no galinheiro que aquela festa se comemorava com muitos ovos e os seus eram caipiras... Aquela galinha de estimação era livre e ela não precisava temer a cozinha. Se não fosse pela tal festa e a dúvida que a desplumava ela seria uma galinha totalmente feliz.

O coelho que amava a jovem galinha em segredo resolveu sair da toca para confortá-la e deu-lhe um presente roubado da cozinha de dona Maria: uma imensa barra de chocolate embrulhada em papel dourado. A galinha com a visão daquela jóia que brilhava ao sol esqueceu a tristeza e aceitou casar-se com o coelho. Ela nunca mais botaria ovos como mulher do coelho, que sempre que pudesse lhe traria chocolate da cozinha.

Dona Maria, que já estava cansada de mexer o caldeirão de cacau para atender às festividades de abril, resolveu inventar algo que lhe tornasse o trabalho mais leve e agradasse às crianças. Sentou-se no quintal próxima aos seus bichos queridos, que lhe contaram a história de amor entre o coelho e a galinha.

- Ah, por isso sumiu chocolate! E ela resolveu abençoar a união de uma ovípara com um mamífero fabricando ovinhos de chocolate, amalgamando os mistérios do amor entre as mais raras espécies. Dona Maria acabava de ressuscitar a doçura nos rituais da fertilidade, que com o passar das épocas se esqueceram do encanto do amor.

Sua invenção era uma forma de afastar o mal. Sorriu e voltou para a cozinha, porque o chocolate fervia no caldeirão e ela ainda tinha muitos bombons para fabricar, com os quais rechearia os ovos de ternura.

Madalena Barranco / Registro na FBN/EDA

Magalena (na versão Páscoa): seria este algum parente do famoso coelho branco de “Alice no País das Maravilhas?” Nosso coelho é especial e enfrentou a própria natureza dos orelhudos-felpudos para ficar com sua amada! Quando há bombons nos corações, o verdadeiro amor se multiplica em todas as direções & formas.


Bruxa Uva: claro!!!! Ele lhe ofereceu a tontice da doçura romântica em forma de chocolate eterno... Se me oferecessem patinhas de sapo...


Platinho: (o filosofinho) será que vocês não se lembram que há toda uma filosofia de vida por trás disso?? E quanto à Páscoa, que é ressurreição do amor e do perdão?? Vocês devem ter um cérebro feito de chocolate...

Gnomo Rosado: de chocolate NÃO! Mas de morangos, pode até ser. Pois são agridoces, assim como os seres humanos, ressurrectos ou não.

Beijinhos de chocolate ao gente.

2 comentários:

  1. Lindo seu blog.
    Amei muito
    Estava procurando uma poesia para por no meu blog e em busca achei a sua, muito linda espero que não se importe é claro que coloquei os direitos autorais.

    Um grande abraço e seu blog vai ficar nos meus vaforitos de agora em diante.

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  2. Obrigado Madalena! Que bom que você gostou, pode colocar o link sim, preciso alterar algumas configurações no meu blog e coloco o seu link. Abraços!

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Plante um moranguinho com seus comentários. A Magalena e sua turma responderão por aqui, ou, diretamente em seus blogs. Obrigada.

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