sábado, junho 30, 2007

O bombeiro e o hidrante - conto

O BOMBEIRO E O HIDRANTE

A água bloqueada por tanto tempo começou a escorrer. O hidrante de chapéu vermelho apoiado em sua coluna cinzenta e com todas as válvulas abertas, sabia que deveria dosar a emoção cuidadosamente, pois seria o principal instrumento de salvação para o sobrado em chamas. Alguém disse que o imóvel estava vazio, mas isso não impediu que os soldados lacrimejassem. Às pessoas que rodeavam o Corpo de Bombeiros em ação, lhes pareceu que eles sofriam com os olhos sensibilizados pela fumaça.

Ouviu-se um murmúrio ardente no local do sinistro, e um dos bombeiros protegido pelos colegas arriscou-se a adentrar o incêndio; o hidrante afogado em sua própria emoção, preocupava-se com o soldado que naquele dia o libertara da falta de respeito com a qual sofria, onde era diariamente maltratado como poste para cachorros e alvo de chutes, entre outras grosserias.

Ouviu-se um estrondo de ferro retorcido e a casa cedeu. O bombeiro havia sumido. Mas o hidrante não desistiu dele e continuou vertendo água pelos braços enferrujados - se fosse preciso ele converter-se-ia no tubo mais poderoso da adutora para salvar aquele valoroso homem de capacete vermelho e farda cinza. Silêncio – o chapéu do hidrante não resistiu à pressão e soltou-se voando para o céu. O público que acompanhava a operação dirigiu instintivamente seu olhar para cima e após um trovão que ribombou em todos os corações... Desceu a chuva sobre o fogo! Foi nesse instante em que de a montanha de cinzas renasceu o bombeiro, ainda cambaleante com a farda aos farrapos e com o troféu que salvara nos braços.

Alguém gritou “milagre!” e os outros bombeiros se entreolharam, pois eles sabiam que os milagres ocorriam porque a Corporação trabalhava arduamente para fazê-los acontecer, valorizando todas as formas de Vida.

O hidrante enferrujado estancou todas as válvulas que pôde, e verteu suas últimas gotas com a cabeça descoberta em sinal de gratidão pela vida e trabalho dos bombeiros. Porém, antes de tombar, o hidrante reconheceu a vítima que latia feliz em sentir-se perdoada pelo seu “poste” preferido.

Madalena Barranco
Da série: Amor & Fantasia
Registro na FBN/EDA

Magalena: conto escrito em homenagem ao Dia do Bombeiro Brasileiro – 02/julho e em sinal de respeito aos maltratados hidrantes...

Sereia Algalinda: Visitem a página oficial do Corpo de Bombeiros > e saibam o bom uso que fazem da água e de suas vidas a favor de outras vidas!


Gnomo Rosado: puxa, eu fiquei com dó do cachorrinho... Ainda bem que o hidrante o perdoou! Ah, mas neste fim de semana há muitas novidades, pois além do dia dos bombeiros, comemoramos também o evento FLAP!

Platinho: eu explico o que é 3ª edição da FLAP! É a “Festa Literária Alternativa”, gratuita e aberta ao público, em São Paulo!!!! Organizada pelo querido poeta EDUARDO LACERDA & sua turma, abrilhantada por escritores consagrados e novos, trazendo uma interessante proposta através do tema “Contaminações”, que vocês poderão conferir em http://flap2007.zip.net. Contato: flap@projetoidentidade.org ou imprensa@projetoidentidade.org. Anotem o endereço, a seguir:

30 de junho e 1º de julho. Espaço dos Satyros I (Pça. Roosevelt, nº 214)
Realização: Projeto Identidade
Apoio: O Casulo, Casa das Rosas, Os Satyros & Sebo do Bac

Beijinhos literários

5 comentários:

  1. Olá querida amiga...sempre que por aqui passo saio com a alma lavada...
    Saberás que os sonhos, moram nas gotas de orvalho que um arco-íris solta, em coração desencontrado. Saberás que os passos errantes de um louco na procura do norte, não deixam marcas no pó, tão pouco são rumo para a sorte.


    Bom fim de semana


    Doce beijo

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  2. Uma homenagem aos bombeiros, aos soldados da paz. Uma profissão que tem os seus riscos, direi, uma profissão perigosa.
    Fica bem.
    E a felicidade por aí.
    Manuel

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  3. Modula o rouxinol violino alado
    as notas musicais da serenata
    trovas de oiro e de rosas carmim
    na alvura doce do luar coalhado…
    Cantam em coro cigarras à desgarrada...
    Fura o ralo o fino ar...negro cetim...
    na estridência fina de um flautim
    pelo trombone do sapo acompanhada...
    Das profundezas místicas da mata
    cai de uma fonte um harpejar sem fim…
    Murmura ao longe a negra ramaria…
    Das pedrinhas do rio são arrancadas
    notas líquidas verde desmaiadas…
    Soa em surdina, o vento em correria…

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  4. Não é à toa que menciono seus textos (lendo-os, inclusive) em minhas aulas. Eles são cheios de sensibilidade e lançam mão de quase todas as figuras de linguagem (e por que não dizer todas?). Tornei-me seu fã desde o primeiro dia em que estive aqui. Sem "rasgação de seda", você é uma das melhores escritoras contemporânea que conheci nos últimos tempos. PARABÉNS!!! E.T.: Acho que você também deve ser uma mãezona, pois o Lilás não mais quis sair do seu lado!...

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  5. Obrigado por Blog intiresny

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Plante um moranguinho com seus comentários. A Magalena e sua turma responderão por aqui, ou, diretamente em seus blogs. Obrigada.

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