domingo, setembro 02, 2007

Biblioteca mágica – conto em homenagem ao dia do livro infantil – 02/09


BIBLIOTECA MÁGICA

Em seu primeiro dia de volta às aulas depois das férias de inverno, Marilu, a menina paulistana, rememorava as melhores férias de sua longa existência de nove anos de idade.

Na casa da avó, Marilu se encontrava com os primos e juntos brincavam em meio às galinhas e de pega-goiaba: uma brincadeira que eles inventaram, onde quem conseguisse subir na goiabeira e pegar mais frutas em pouco tempo, ganhava o direito de comer a porção maior da goiabada cascão que a avó fazia. À noitinha, o jantar era sempre uma surpresa, onde a avó aparecia às vezes com uma sopa de morangos e chocolate quente, outras vezes com mingau de milho e marmelo doce e outras ainda com delícias que ainda não haviam ganhado nomes. Depois, as crianças felizes como pitangas vermelhas, se acomodavam na grande sala com a lareira acesa e escolhiam o livro infantil que quisessem na biblioteca da avó. Aquela era a “hora da fantasia”, como a avó fazia questão de anunciar depois de todos ouvirem o vento balançar os sininhos “mensageiros dos ventos” pendurados na varanda. O vento era impecável e nunca se atrasava, porque os sininhos sempre soavam àquela hora... Enquanto algumas crianças liam as histórias clássicas dos contos de Andersen, outras se vestiam com as fantasias de fadas, bruxas e gnomos de todas as cores, que a avó guardava atrás das estantes deslizantes da biblioteca e Marilu, a menina da cidade, esquecia-se de seus amados videogames, que ela trazia na mochila, e ia buscar do seu autor preferido: Monteiro Lobato. Marilu até se esquecia que era a Maria Lucia e se achava parecida com a personagem principal do Sítio do Pica-pau Amarelo: a Narizinho e todas suas reinações.

Quando voltasse das férias e adentrasse a sala de aula, a menina também se sentiria feliz. Marilu voltaria a entrar para o outro lado da fantasia em meio ao mundo dos livros, como ela gostava de dizer, onde as histórias eram contadas de várias formas: através de números que explicavam a matemática das brincadeiras de pega-goiaba, quando tinham de contá-las e até das teclas e combinações numéricas dos seus videogames – a professora lhes dissera que a matemática estava em todas as coisas; através da geografia, que a fazia entender porque o mundo escrevia livros tão diferentes; através da ciência, que contava porque o cheirinho do ar era mais gostoso na cidade da avó, onde havia mais árvores e jasmins e explicava porque a goiabada deixava de ser redonda depois de entrar na panela e, através da língua portuguesa, que ela e até mesmo a Narizinho, usavam para contar com vários detalhes a história do saci de forma que todos entendessem o que elas estavam dizendo. Sim, porque ela achava que era o saci que bulia com o vento, para fazê-lo soprar os sininhos da casa da avó na “hora da fantasia”, mesmo que sua prima de doze anos, que morava com os avós, lhe houvesse dito que era o avô, que se escondia na janela de seu quarto e mexia nos sininhos com sua bengala...

Madalena Barranco
Da série: Fantasia & Alegria
Registro na FBN/EDA.


Gnomo Rosado: quando eu ainda era uma criança, em meu aniversário de oitenta anos, ganhei do papai, o Grande Gnomo Vermelho da Floresta, uma coleção de livros de Monteiro Lobato! Ele também é famoso no mundo das criaturas fantásticas, vocês sabiam? Agora, ele vive lá...

Bruxauva: essas fadas abobalhadas não têm outra coisa melhor a fazer, do que engabelar as crianças com essas histórias...



Magalena: o que é isso, dona bruxa? Assim nossos leitores vão lhe jogar tomates!!! Você sabia que a fantasia é item de sobrevivência humana, até mais para os adultos do que para as crianças? Quem afirma isso é J.R.R.Tolkien em seu maravilhoso ensaio “Sobre contos de fadas”, reveja a resenha.

Bruxauva: bah, então diga aos leitores para me jogarem sapos em vez de tomates! Assim eu tenho algo para me alimentar, porque neste blog, argh, morro de fome com tantos morangos, argh!





Beijinhos de alegria

7 comentários:

  1. Madalena,
    Que lindo conto recheado de maravilhosos sabores. Impossível não transportar-se. Parabéns

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  2. Madalena,
    Obrigado por seu interesse por meus Posts.
    Parabéns por seu mundo , suas personagens e por "Marilu", que são diferentes de outros mundos que conhecemos e que nos desencantam a cada dia que passa.
    Eu tenho na memória lugares parecidos com a casa da avó da Marilu.
    Abraços
    Luiz Ramos
    Rio, 3/9/2007

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  3. Achei seu blog muito interessante. Os diálogos são 10!

    Beijos de Sol e de Lua.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Gosto da forma descontraída e prazerosa que seus posts revelam a cada palavra que meus olhos descobrem. As vezes me indago sobre porque as pessoas não gostam de ler e a resposta quando venho aqui fica fácil. A leitura precisa causar satisfação, fazer com que eu deixe de ser a Lunna e passe a ser o personagem que se revela por entre as entrelinhas. Ainda que por alguns segundos, me permita viver a fantasia.
    Belo post (como sempre).
    Beijos meus a você e a suas fadinhas, bruxinhas e gnomos.

    Ps. Esqueci de alguém? Espero que não.

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  6. Olá galerinha fantástica do Flor de Morango, boa-noite!... Cá estou eu para agradecer a iluminada presença da fadinha Madá ao Portal da Poesia. Toda vez que lá ela pisa, o ar fica mais rarefeito, o aroma atmosférico mais suave, o brilho das estrelas mais intenso e eu, mais encantado... E por falar em encantado, hoje senti a falta do Lilás no Flor de Morango. Por onde andará ele?... Espero que não esteja aprontando traquinagens libidinosas com a Moscatela!... Abra o olho, fadinha Madá!... Em se falando de abrir o olho, eu seqüestrei o "Sonetilho de Amor & Maçã" para publicá-lo na próxima edição do Portal da Poesia. Caso encontrem sua autora (Madalena Barranco), diga-lhe que estou pedindo permissão como resgate. Um forte beijo a todos.

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Plante um moranguinho com seus comentários. A Magalena e sua turma responderão por aqui, ou, diretamente em seus blogs. Obrigada.

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