quarta-feira, outubro 31, 2007

Festival Halloween – sobre o poeta consagrado JOHN KEATS

Bruxauva: já vou lhes adiantar um segredo... Eu sempre fui a musa inspiradora de Keats e hoje quando a meia-noite se fundir com o dia primeiro de novembro eu declamarei suas poesias com a tradicional vela acesa na janela de Halloween, para homenagear o poeta.

Moscatela Roxa: mas, mestra bruxa, o que seu eterno apaixonado, o Mago Limonada vai dizer quando souber?! Ficará com ciúmes! Deixe que eu as declame numa forma de convidar meu Duende Lilás para a dança da noite sagrada.

Bruxauva: quieta, ou todos vão saber de minha paixonite pelo mago Limonada... E este é um blog de (eca) Morangos e não Limões. Agora ouçam a Magalena falar sobre Keats.


JOHN KEATS nasceu em Halloween, em 31 de outubro de 1795, onde em vez de ser agraciado com longevidade pelas três fadas benfazejas, ele foi foi levado prematuramente pela bruxuleante tuberculose. Considerado um dos maiores poetas ingleses de todos os tempos, ele soltou-se dos liames da segunda geração de poetas românticos, da mesma época de Byron e Shelley e produziu em sete anos obras que foram decisivas para a poesia moderna, transcendendo a própria língua. Entretanto, o "mal" dos românticos não o deixou livre para a modernidade...

Seus versos fluem em imagens, que se desprendem da tela de cinema formando holografias vivas. Madalena Barranco.

John Keats embarcou para a Itália em 1820 em busca da cura, que ele sabia que dificilmente encontraria, porque antes de ser poeta formara-se cirurgião. Talvez seja por isso que se costuma dizer, que o poeta que teve a seguinte inscrição no seu túmulo em Roma: "Aqui jaz alguém cujo nome estava escrito em água", teria sido maior do que Shakespeare se não houvesse partido tão cedo. Suas poesias têm a umidade perene do sentimento escorrendo pelos versos, assim como "On the sea", do qual transcrevo alguns versos em inglês e a tradução completa em português, transcrita do livro "Nas invisíveis asas da poesia", publicado pela Editora Iluminuras em 1998, traduzido por Alberto Marsicano e John Milton, a seguir:

ON THE SEA
It keeps eternal whisperings around
Desolate shores, and with its mighty swell
Gluts twice ten thousand caverns, till the spell
Of Hecate leaves them their old shadowy sound.
Often 'tis in such gentle temper found,
That scarcely will the very smallest shell
Be moved for days from where it sometime fell,
(...)

NO MAR

Ele sustém eternos murmúreos
Nas praias desoladas, e com soberbas cristas
Inunda vinte mil cavernas, até que o sortilégio
De Hécate as deixe com seu velho e assombroso som.
Muitas vezes se encontra tão tranqüilo,
Que até a menor das conchas permanece dias imóvel
Desde o desenlace dos ventos celestiais.
Vós, cujos olhos se enchem de tormento e tédio,
Regozijai-os com a imensidão do mar;
Vós, cujos ouvidos estão atordoados pelo rude ruído,
Ou enfastiados pela música melosa -
Sentai-vos na boca de uma velha caverna, e meditai
Até que escuteis, como se cantassem, as ninfas do mar!

John Keats

John fez um estágio de aprendiz de cirurgião, onde foi agraciado pelo diretor da Clarke's School pelo préstimo de livros de poetas ingleses liberais, o que o fez esboçar seus primeiros versos, influenciado pelo poeta inglês do séc .XVI, Edmund Spenser. John Keats deixou a carreira médica e seguiu sua vocação para as letras aos vinte e um anos, com a publicação de seus primeiros poemas, entre eles: "Primeira Leitura do Homero de Chapman". A seguir, associou-se a um círculo de literatos onde manteve contato com os poetas românticos da época, assim como William Wordsworth e finalmente publicou seu primeiro livro: "Poems" em 1817, a princípio bem sucedido, mas depois foi criticado duramente pela revista Blackwood's, classificando-o como escritor vulgar de classe social inferior. No ano seguinte, John viajou para o sudoeste da Inglaterra para cuidar do seu irmão tuberculoso. Depois, acompanhou outro irmão com a esposa para os Estados Unidos e foi para a Escócia, onde partiu para uma caminhada de quase mil quilômetros juntamente com o amigo Charles Brown - nessa última viagem após ter visitado a cidade e a cripta do poeta escocês Robert Burns, escreveu dois célebres poemas: "Visitando a Cripta de Burns" e "Escrito na Cabana onde Burns Nasceu". Seu irmão com tuberculose piorou e John voltou a cuidar dele até que faleceu, no entanto, ele foi também foi contaminado... Mais tarde ele foi morar com o amigo Charles Brown em Hampstead, Londres e se apaixonou pela vizinha Fanny Brawne. Em sua vida amorosa há relatos de que ele também se apaixonou por uma mulher casada, Isabella Jones, que lhe sugeriu que escrevesse o longo poema "Véspera de Sta. Agnes" em 1819 - considerado por muitos como o melhor poema de John Keats, por conter imagens bem desenhadas e estrutura spenceriana, do qual transcrevo um trecho em português - estrofe XIV (transcrito do referido livro "Nas Invisíveis Asas da Poesia"):


VÉSPERA DE STA. AGNES

XIV

Sta. Agnes! É véspera de Sta. Agnes -
Mas os homens matarão nos dias santos:
Deves reter água na peneira de uma bruxa,
E se senhor dos elfos e das fadas,
Para te aventurares. Enche-me de espanto
Te ver, Porfírio! - Na véspera de Sta. Agnes!
Que Deus me ajude! Minha boa senhora conjura
Esta noite. Que bons anjos a iludam!
Deixa-me rir um instante, tenho tempo para lamentar."

John Keats

Quando sua saúde piorou e teve que fugir para Roma, escreveu a última de suas grandes odes: "Ao Outono" e lamentou profundamente o fato de deixar seu verdadeiro amor, a Srta. Fanny Brawne, constatado neste trecho da carta que John Keats escreveu ao seu amigo Brown:

"(...) vejo sua figura desaparecendo eternamente.
Algumas das frases que ela costumava usar quando cuidava de mim ecoam no meu ouvido
- haverá outra vida!
Acordarei e descobrirei que tudo isso é um sonho?
Tem de ser - não podemos ser criados para esse tipo de sofrimento".

(Hilton:124) John Keats.

John Keats somente teve seus trabalhos reconhecidos na segunda metade do séc. XIX, quando foi proclamado um dos maiores entre os poetas românticos ingleses. A emotividade dos românticos, mesmo com a alma na modernidade, como foi o caso de John Keats, não deixou de provocar-lhe pensamentos como: acusar o cientista Isaac Newton de ter destruído a beleza do arco-íris ao reduzi-lo a meras cores do prisma...


Porque o Outono lhe é amigo "do peito do sol maduro"?
E conspira com ele em dourar-lhe as frutas
e arquear-lhe as maçãs dos ramos verdes?

Releitura de alguns versos da Ode ao Outono de John Keats,
por Madalena Barranco

Bibliografia:
http://www.casadacultura.org/Literatura/Poesia/Biografias_Poetas
Copyright André C.S.Masini, 2000 - Biografia publicada no livro
"Pequena Coletânea de Poesias da Língua Inglesa"
Livro "Nas Invisíveis Asas da Poesia", coletânea de poemas de John Keats,
traduzidos por Alberto Marsicano e John Milton, Editora Iluminuras, 1998.
Crédito da foto de John Keats acima: http://www.zam.it/2.php?id-autore=1564

Beijinhos e até o próximo e último post da série “Festival Halloween” do Morango.

9 comentários:

  1. Madalena,
    Seus textos e suas criaturas são sempre muito lindos. Aqui ou em qualquer espaço.
    Abraços

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  2. Nossa!!! Que bárbara-de-linda essa publicação! Cheia de informação das mais deliciosas "gostosuras"!!!

    Ficou excelente a mistura do tom de comemoração ao Halloween com o floreio de poesia!

    Parabéns, moranguinha-linda!

    Beijos, lindeza.

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  3. Querido Luiz Ramos, sua visita sempre ilumina meu bloguinho. Obrigada!

    Querida Paula, obrigada! Que bom que gostou da minha mistura de "gostosuras".

    Beijos a todos.

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  4. Agora já sei onde te achar quando vc sumir......sempre que não for lá eu venho aqui........

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  5. Querida Mada
    Adorei teres publicado aqui essas informações preciosas sobre o
    o grande John Keats, que era um dos poetas favoritos de minha irmã Alma Welt.
    Voltarei sempre
    Um beijo da Lucia

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  6. Carlos, amigo querido, é sempre um prazer recebê-lo no Morango.

    Lúcia, que coincidência!!! Eu adoro Keats - obrigada pela visita adorável.

    Beijos e obrigada!!!

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  7. De nada, querida Mada, o prazer foi todo meu! E olha, talvez não seja coincidência: os poetas de fundo romântico encontram em John Keats até mesmo respaldo teórico (nas suas importantes cartas). A propósito, Alma cita Keats nos seus sonetos 56(Alma insegura)e 79 (O contrato), da Série Pampiana (lá no blog "Vida e Obra de Alma Welt") Confira lá, se tiver tempo. Muito obrigada, querida e apareça sempre também.
    beijos da lucia

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  8. Ah! Eu mesma coloquei um pequeno comentário sobre Keats na minha "Nota de editora" sobre o soneto n°216, da Alma, naquele blog. Dá uma olhada, espero que gostes. Boas festas, Mada, para ti e tua família!
    beijos Lu

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  9. Ah, Lúcia, que maravilha receber-lhe novamente no Morango!!! Claro que sim!! Irei agora ao blos da Alma, pois já estou com saudade. Beijos.

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Plante um moranguinho com seus comentários. A Magalena e sua turma responderão por aqui, ou, diretamente em seus blogs. Obrigada.

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