domingo, abril 27, 2008

Gabriela Mistral – poetisa. Blogagem coletiva “Abre Aspas”, proposta pela Lunna Guedes

Link para o blog Acqua da Lunna Guedes: http://www.acqua.wordpress.com

GABRIELA MISTRAL, 1889 – 1957. Vicuña, Chile, em 07/abril/1889 nasceu Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy, conhecida pelo nome artístico de GABRIELA MISTRAL, adotado em homenagem ao poeta italiano Gabriele D'Annunzio e Mistral e como forma de admiração pelo poeta provençal Frederic Mistral.

Filha de Gregorio (professor/poeta) e Petronila, já ao nascer o pai dedicou-lhe uma poesia: "Oh, doce Lucila, que em dias amargos piedosos os céus te fizeram nascer...", de quem provavelmente herdou o gosto pelas letras, pois em apenas um mês aprendeu a ler. Já em 1905, seus textos foram considerados liberados demais para a época por um padre, mas um jornalista de apiedou dela e ofereceu-lhe a biblioteca para estudos. Gabriela mudou-se para o campo e trabalhou como professora rural. Em 1908 surgiu seu primeiro poema assinado como Gabriela. A partir dai foi um sucesso seguido de outro.

Em 1914 ganhou seu primeiro concurso literário importante "Jogos Florais de Santiago", surpreendendo a todos, pois ninguém esperava que uma humilde professora do colégio dos Andes ganhasse o primeiro lugar com os "Sonetos da Morte", que ela escreveu inspirada no noivo que em 1907 se suicidou. Ela nunca se casou.

Em homenagem à cidade de Punta de Arenas, ela plantou árvores na praça e na avenida principal e posteriormente dedicou-lhes as poesias: "Três Árvores" e “Árvore Morta". Escreveu sobre a educação das crianças, pássaros do Chile, rios, ervas medicinais, etc. Compassiva, costumava visitar prisões, hospitais, povoados, sempre ajudando-os e aconselhando-os.
Então, em 1922 escreveu "Desolação", onde há o poema "Dolor" - uma lembrança ao noivo morto.

Em 1945 ganhou o prêmio Nobel. Foi designada como cônsul do Chile em Los Angeles, EUA, onde comprou uma casa e passou a viver.

Em 1954 publicou seu famoso livro "Lagar", mas o câncer do pâncreas avançava e a incrível poetisa... Definhava. Faleceu em 1957 em Nova Iorque.


Algu
mas poesias de Gabriela Mistral:
(Eu eu, Magalena, optei para deixá-las em espãnol, para que vocês pudessem sentir a força original dessa notável mulher, com exceção do "Decálogo do Artista" - vide ao fim desta página)


Los Sonetos de La Muerte - I

Del nicho helado en que los hombres te pusieron,
te bajaré a la tierra humilde y soleada.
Que he de dormirme en ella los hombres no supieron,
y que hemos de soñar sobre la misma almohada.

Te acostaré en la tierra soleada con una
dulcedumbre de madre para el hijo dormido,
y la tierra ha de hacerse suavidades de cuna
al recibir tu cuerpo de niño dolorido,

Luego iré espolvoreando tierra y polvo de rosas,
y en la azulada y leve polvoreda de luna,
los despojos livianos irán quedando presos.

Me alejaré cantando mis venganzas hermosas,
¡porque a ese hondor recóndito la mano de ninguna
bajará a disputarme tu puñado de huesos!


Himno al árbol

Árbol hermano, que clavado
por garfios pardos en el suelo,
la clara frente has elevado
en una intensa sed de cielo;

hazme piadoso hacia la escoria
de cuyos limos me mantengo,
sin que se duerma la memoria
del país azul de donde vengo.

Árbol que anuncias al viandante
la suavidad de tu presencia
con tu amplia sombra refrescante
y con el nimbo de tu esencia:

haz que revele mi presencia,
en las praderas de la vida,
mi suave y cálida influencia
de criatura bendecida.

Árbol diez veces productor:
el de la poma sonrosada,
el del madero constructor,
el de la brisa perfumada,
el del follaje amparador;

el de las gomas suavizantes
y las resinas milagrosas,
pleno de brazos agobiantes
y de gargantas melodiosas:

hazme en el dar un opulento
¡para igualarte en lo fecundo,
el corazón y el pensamiento
se me hagan vastos como el mundo!

Y todas las actividades
no lleguen nunca a fatigarme:
¡las magnas prodigalidades
salgan de mí sin agotarme!

Árbol donde es tan sosegada
la pulsación del existir,
y ves mis fuerzas la agitada
fiebre del mundo consumir:

hazme sereno, hazme sereno,
de la viril serenidad
que dio a los mármoles helenos
su soplo de divinidad.

Árbol que no eres otra cosa
que dulce entraña de mujer,
pues cada rama mece airosa
en cada leve nido un ser:

dame un follaje vasto y denso,
tanto como han de precisar
los que en el bosque humano, inmenso,
rama no hallaron para hogar.

Árbol que donde quiera aliente
tu cuerpo lleno de vigor,
levantarás eternamente
el mismo gesto amparador:

haz que a través de todo estado
?niñez, vejez, placer, dolor?
levante mi alma un invariado
y universal gesto de amor!

Decálogo del artista

I. Amarás la belleza, que es la sombra de Dios sobre el Universo.
Amarás a beleza, que é a sombra de Deus sobre o Universo.

II. No hay arte ateo. Aunque no ames al Creador, lo afirmarás creando a su semejanza.
Não existe arte atéia. Mesmo que não ames ao Criador, confirmá-lo-ás criando à sua semelhança.

III. No darás la belleza como cebo para los sentidos, sino como el natural alimento del alma.
Não usarás a beleza como brilho sobre os sentidos, senão como alimento natural da alma.

IV. No te será pretexto para la lujuria ni para la vanidad, sino ejercicio divino.
Não ser-te-á pretexto para a luxúria nem para a vaidade, senão como exercício divino.

V. No la buscarás en las ferias ni llevarás tu obra a ellas, porque la Belleza es virgen, y la que está en las ferias no es Ella.
Não a buscarás nas feiras nem levarás tua obra a elas, porque a Beleza é virgem, e a que está nas feiras não é Ela.

VI. Subirá de tu corazón a tu canto y te habrá purificado a ti el primero.
Se elevará de teu coração ao teu canto e purificar-te-á primeiro.

VII. Tu belleza se llamará también misericordia, y consolará el corazón de los hombres.
Tua beleza chamar-se-á também misericórdia, e consolará o coração dos homens.

VIII. Darás tu obra como se da un hijo: restando sangre de tu corazón.
Ofertarás tua obra como se oferta um filho: doando sangue do teu coração.

IX. No te será la belleza opio adormecedor, sino vino generoso que te encienda para la acción, pues si dejas de ser hombre o mujer, dejarás de ser artista.
A beleza não ser-te-á ópio entorpecedor, senão vinho generoso que te acenda para a ação, pois se deixas de ser o homem, deixarás de ser artista.

X. De toda creación saldrás con vergüenza, porque fue inferior a tu sueño, e inferior a ese sueño maravilloso de Dios, que es la Naturaleza.
De
toda criação envergonhar-te-ás, porque terá sido inferior ao teu sonho, e inferior ao sonho maravilhoso de Deus, que é a Natureza.

Gabriela Mistral
Tradução: Madalena Barranco

Bibliografia: (mais sobre Gabriela Mistral)
http://www.poemas-del-alma.com/


Magalena: porque eu postei sobre sobre Gabriela Mistral, nesta blogagem proposta pela querida Lunna Guedes? Talvez porque um amigo tenha me falado dela e eu a tenha visto de forma especial, que só se descobre ou julga-se sentir, ao ler o significado da natureza dessa notável mulher, ou simplesmente, porque o outono e seus mistérios de folhas douradas me trouxe sua figura a lembrança.

Bruxauva: vocês sabiam que meu sobrenome oculto é Bruxauva Passa Mistral? Neste post especial para atender a blogagem coletiva, a Magalena Magdatuga deixou as criaturas fantásticas de fora. EU protesto!!! Da próxima vez EU quero ser o tema principal de qualquer blogagem coletiva... E não mera apresentadora vestida com um barril de lata...

Beijinhos da Magalena

Magalena: P.S.: perdoem-me estas duas postagens sucessivas neste blog semanal, que eu acabei por exceder-lhe a proposta para atender a esta blogagem coletiva. Ambos os textos permanecerão na vitrine do Morango durante toda esta semana. Obrigada.

37 comentários:

  1. Que surpresa agradável encontrar no mundo encantado do Flor de Morango, entre as criaturinhas fantásticas que aqui residem, a inconfundível Gabriela Minstral. Se, costumeiramente, eu já saía daqui em estado de êxtase, hoje então!... Um forte abraço abraços a todos.
    P.S: Caso encontrem a Fadinha Madá, digam-lhe que recebi o texto.

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  2. Como sempre caríssima, sua participação foi especial. Grata pelas cores nesse dia de sol e bentos nas folhas.

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  3. Madalena

    Adorei conhecer essa poetisa.
    Parabéns pela blogada.

    beijos

    Rosacea

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  4. Joésio, querido amigo & inesquecível criador do Duende Lilás, fiquei feliz em saber que você admira a Gabriela Mistral. Obrigada. Beijos.
    P.S.: ah, que bom que recebeu o texto para o Sacrário das Palavras. Obrigada.

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  5. Querida Lunna, a blogagem "Abre Aspas" está um show de poesia!! Aos poucos, visitarei todos os blogs, para me deliciar com os versos da vida. Obrigada pela oportunidade de participar de sua linda idéia. Beijos, com carinho.

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  6. Rose, amiga das rosas e poemas perfumados, muito obrigada - amei sua visita! Beijos.

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  7. Oi, Madalena!

    O teu blog é uma inesgotável fonte de coisas belas. Por aqui tudo é poesia e muita informação.

    Obrigada pelo post sobre a poetisa Gabriela Mistral. Eu não a conhecia.

    Amiga, obrigada por passar no baú e deixar plantadas tantas palavras bonitas.

    A gente se vê!

    Com carinho
    Ilaine

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  8. Adoro vir colher morangos, seu blog me deixou viciada em morangos. Suas poesias ,belas, melhor ainda quando lidas pela manhã.
    fiz postagem nova ,se tiveres tempo apareça, será sempre bem vinda.
    marthacorreaonline.blogspot.com

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  9. Que vida extraordinária a desta chilena!

    Não conhecia. Vou seguir os links!

    Obrigada pela bela sugestão de poesia!

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  10. Maravilhosa postagem, Madalena!
    Conhecia muito de longe, superficialmente, a poetisa Mistral, e agora vc agu�ou minha curiosidade para procurar mais sobre ela. Vou vasculhar os links da postagem assim que o Leia Livro permitir.

    Abra�os!

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  11. Olá Ilaine, você é uma de minhas cronistas preferidas! Obrigada pela visita e comentários incentivadores. Quando conheci a poesia da prêmio Nobel Gabriela eu me encantei. Beijos.

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  12. Caramba mulher,
    não conhecia e já estou encantada com a poetisa que você escolhe nessa homenagem. O legal dessa brincadeira proposta pela Lunna, dentre outras coisas, foi essa possibilidade de troca que se criou entre os blogueiros. E, você, como não podia deixar de ser, nos presenteia.
    Um abraço
    Jacinta

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  13. Boa noite! Vim conhecer seu blog e convidá-la a participar da blogagem coletiva COISAS DO BRASIL, em 16 de maio. A idéia é cada um escrever, em seu blog, sobre aquilo que represente a cidade brasileira onde mora ou nasceu, a fim de que, juntos, mostremos a riqueza cultural do nosso país. Estou convidando a todos, até mesmo os brasileiros que residem no exterior; o importante é mostrarmos que o Brasil é um misto de culturas e saberes. Conto com a sua adesão!

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  14. O Mar de Sonhos faz um ano de existência. Venho assim agradecer toda a amizade e carinho ao longo deste tempo.

    O meu muito obrigado.

    Com amizade

    Luis F.

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  15. Martha, que bom que você veio "colher moranguinhos". Sua presença faz bem à fantasia que se propõe defender neste blog. Seu blog é lindo e tem histórias maravilhosas estou indo lá agorinha. Beijos e obrigada.

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  16. Olá Ana, muito prazer! Seja bem-vinda! Gabriel Mistral transmite profundas mensagens de vida em seus poemas. Obrigada - abraços.

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  17. Plínio Zúnica, adorei sua visita e comentário!! Gabriel Mistral é surpreendente - você gostará de conhecer mais sobre ela. Um grande abraço e muito obrigada.

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  18. Jacinta do Florescer! Oba - obrigada pelo comentário ao meu humilde post sobre a grande poetisa Gabriela. Beijos.

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  19. Andréa, muito obrigada pelo convite - infelizmente não sei se conseguirei participar devido a outros compromisso assumidos... Um grande abraço e muito obrigada.

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  20. Olá Luiz F, parabéns então, ao Mar de Sonhos e muitos anos de vida à bela poesia. Abraços.

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  21. Lindo Madá

    Obrigado pela rica pesquisa e pelas traduções dos escritos de Gabriela Mistral. Vou confessar que não conhecia. Minha formação de engenheiro pouco me fez transitar pelo mundo da poesia, mas com pessoas como você por perto, conseguirei recuperar o tempo perdido.

    Beijos
    do Marcos

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  22. Magalena, dessa vez os papéis foram invertidos! Fazer a Bruxauva vestir-se de lata?? Tadinha...ela é uma Mistral!! (rs*)
    Não conhecia a poetisa e fiquei encantada! Obrigada pela apresentação! Beijus

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  23. Lindo, lindo, lindo!!!

    Com meu español precário e fueda, ainda assim, capitei a força de Mistral.

    Beijos, moranguinha.

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  24. Maga, quando veres no seu Globocounter uma pessoa on line en "Palencia" está mal colocado o satélite. Esta sou eu que estou em Badajoz (Espanha) e de qualquer maneira, Palencia não existe, mas sim Placencia. Não faz ma, agora já sabes.

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  25. Amigo Marcos, então, eu e seus leitores e fãs, aprendemos muito também com sua formação de engenheiro, que projeta palavras com perfeição e transmitem lindas mensagens em seu blog. Obrigada - fico feliz que tenha gostado da poetisa. Beijos à você e linda família.

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  26. Luma, querida, a Bruxauva até que ficou bem "enlatada", não é mesmo? Heheheheheh! Obrigada pelos comentários incentivadores. Beijos.

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  27. Paula, dona Maçãzinha, você entende da alma humana e gostou de Gabriela! Isso a deixará feliz onde quer que esteja - talvez... No Paraíso perdido da Poesia. Beijos e obrigada.

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  28. Oh, Joice, eu estava aqui imaginando quem seria de Palencia... Fiquei contente em saber que era você, mesmo com o nome da cidade trocado! obrigada, querida! Beijos e bom domingo.

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  29. Madalena,
    "No hay arte ateo. Aunque no ames al Creador, lo afirmarás creando a su semejanza..."
    Grande poetisa, Gabriela Mistral. Ainda era muito jovem, mas lembro-me da comoção geral por ocasião de sua morte.
    Parabéns pelo texto.
    Luiz Ramos

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  30. Querido amigo Luiz, adorei saber que você se lembra de Gabriela... Obrigada!! Beijos.

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  31. Oi Madalena,

    Eu ja conhecia a Gabriela, fui atriz e fizemos um extenso trabalho de pesquisa sobre poetizas estudando sua obra e sua vida. E Gabriela era uma de nossas favoritas. Muito bom que através da sua blogada tanta gente está conhecendo a força dessa mulher.

    Besitosss

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  32. Ai Magalena....que maravilha é viajar no teu blog....tanta informação, rica e substancial!

    1 Bj*
    Luísa

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  33. Poesias de linguagem rebuscada, criativas e de impacto, além das sábias reflexões. Conhecia esta autora apenas de nome. É uma oportunidade preciosa, Magadtug... ops... Magalen... raios, quero dizer, Madalena - alter egos! - de conhecermos legados literários não tão presentes na grande mídia.
    A Bruxauva vestida de tonel, muito engraçado. Por acaso perdeu as roupas numa rodada de pôquer? Não devia permitir o jogo no Morango, querida Madalena.
    Campos de morangos para sempre.
    Um beijo!

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  34. Raquel, que alegria saber que você já havia pesquisado e também trabalhado sobre a obra da poetisa Gabriela Mistral!

    Obrigada pelo comentário e visita, beijos, Madá.

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  35. Luisa, querida fadinha, obrigada pela tua visita, que sempre alegra a mim e as criaturas fantásticas do Morango!

    Beijos, Madá

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  36. Oliver, querido e sábio cronista de um dos blogs mais interessantes da blogosfera, a Bruxauva perdeu as roupas no brejo enquanto caçava sapinhos... Obrigada pelo comentário - você está certo: é bom conhecer poetas que estão no olvido da mídia. Quando a Lunna sugeriu essa blogagem coletiva nos deu essa preciosa oportunidade.

    Beijos desde os campos de morangos da Magdtuga - heheheh!

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  37. Oi galera, gostaria de uma ajuda, eu adquirir um pacote de TV HD no PC no site www.tvhd.com.br tenho acesso a vários canais através de um painel de controle que eu visualizo no próprio navegador, como eu faço para gravar os programas e série de TV no meu PC, lembrando que não tem nem um programa instalado no meu PC é todo pelo próprio navegador 100% online.
    Quem tiver uma ideia, por favor, me ajude meu e-mail: riclife@ig.com.br

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Plante um moranguinho com seus comentários. A Magalena e sua turma responderão por aqui, ou, diretamente em seus blogs. Obrigada.

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